29 de fev de 2008

Deus lhe pague

Não sei porque, mas nosso presidente, insiste em misturar Estado e Religião. A bem da verdade, diga-se de passagem, não só ele. Mas o fato de alguém falar bobagem não é justificativa para todos continuarem repetindo o besteirol. Agora, foi a vez de agradecer a Deus, pela mãozinha dada para que o país deixasse de ser devedor e passasse a ser credor. A nocia é boa. Mas para que misturar deus, de novo, na história? Quer dizer que antes estávamos nas mãos do diabo? E quanto às minhas dívidas? Mando os cobradores falarem com o padre? Pensando bem, o Brasil pode não ter dívidas. Mas o povo, coitado. Acho que nem o padre. Vai ter que ser direto com o Papa, valha-me deus.

25 de fev de 2008

(des) educando

Vida boa mesmo é de professor. Tem direito a caviar, champagne, mercedez com motorista, computadores de última geração. Claro que a mercedez com motorista é o ônibus mesmo, meu amigo. A champagne, uma cidra que fermentou além da conta. O caviar, alguma coisa que “cá, vi... era puro ar!” Mas é bom ser professor. O salário, então, beleza pura: na média, para o ensino fundamental – aquele básico, que vai definir todo o rumo e futuro da criança e do país – gira em torno de 600 reais. Isso mesmo, a fabulosa, fantástica, quantia de 600 reais. Menos do que o Reitor da Unb, Magnífico Dr. Professor Timothy Mulholland gastou com uma lixeira: foi a bagatela de mil reais. Para ser exato, 912 reais. Comprou 3, por que o lixo que produz é muito. Total dos mimos decorativos para o seu apartamento funcional: 470 mil ou 350, dependendo da versão. Fiquemos com a mais baixa, e ainda vamos arredondar: que seja 300 mil! Pagos como? Claro, com o cartão corporativo, cuja conta vai para o seu, o meu, o nosso bolso. E a educação? Deve estar na lata do lixo, que dúvida.

15 de fev de 2008

O velho (novo) oeste

Quem não lembra, nos filmes de faroeste, os cartazes de “Procura-se”, anunciando recompensa para quem desse pistas quentes? Pois o tempo das diligencias está de volta. Advogado paulista, com a casa assaltada – roubaram celular e 600 reais – ofereceu recompensa de 10 mil para quem der pistas sobre a quadrilha de larápios. A polícia compareceu, mas não conseguiu prender os ditos cujos. Motivo? Ora, eles também possuíam rádio e na mesma freqüência da corporação. Tão rápido quanto a valorosa guarnição chegou, mais rápido eles se foram. Assim, movidos pelo dinheiro, que tudo atrai, está aberta a fábrica de delações, falsas ou não. O problema é a inflação: o disque denuncia já tinha oferecido recompensa para pistas do atentado contra o delegado, morto no Rio, Alexandre Neto. Era de 2 mil reais. Em 5 meses, de 2 para 10. Façam as contas. Agora, polícia aparelhada e bem treinada, que é bom...

12 de fev de 2008

Sex in TV

Ou seria melhor Sex or TV? A pesquisa realizada pela rede de lojas Comet, de Londres, apontou que 47% dos britânicos deixariam de fazer sexo durante 6 meses em troca de uma TV de Plasma de 50 polegadas. Que a televisão é hipnótica, disso ninguém duvida. No Brasil, sempre que tem “apagão”, depois de 9 meses tem “explosão”... O que será que os brasileiros trocariam por uma tv de plasma? Quanto tempo sem sexo? Acho que as baixarias BBB, novela das 8 e outros que tais também invadiram o espaço da Rainha. Quanto às 50 polegadas, já sei. Tamanho É documento – nada como o prazer do plasma.

8 de fev de 2008

Cartão Corporativo

O Governo distribuiu para seus diletos trabalhadores um cartão corporativo. Cartão corporativo, para quem é bóia fria no mercado capitalista, nada mais é do que um cartão de crédito, aquele dinheirinho de plástico, cujas contas são pagas pela empresa. O empregado gasta, o patrão paga. No caso do governo, o funcionário público gasta, e nós pagamos. Está certo, a causa é boa: afinal, podem acontecer eventualidades, imprevistos, que peguem desprevenidos nossos incautos e dedicados servidores. Por exemplo: roupitchas no free shop, um que outro perfume. Assim, foram-se 170 mil e umas craqueradas, gastos por Matilde Ribeiro, a secretária-ministra da Igualdade Racial (verdade que uns são mais iguais que outros). A segurança do presidente também teve imprevistos: precisou comprar umas esteiras e gastou outro tanto em churrascarias. Não escaparam compras com material de construção e outros que tais. Tudo está –ou estava – na página do Portal da Transparência, que mostra os gastos governamentais. Primeiro resultado desta farra: o Governo mandou tirar do portal a prestação destas contas. Trata-se de uma questão de segurança do presidente e não podemos ficar sabendo da lambança. Está certo. Afinal, imagina-se que a equipe de proteção comprou as esteiras para ficar em forma e seria um risco descobrir que estão barrigudinhos. Mais: precisavam experimentar a carne das churrascarias para verificar se não estava envenenada ou contaminada. Alguma dúvida? A carne era da vaca louca, e todos endoidaram. Só não percebeu o presidente, protegido pelo bunker que deve ter sido erguido com os tais materiais de construção. Quero o meu cartão!

PS: O crédito da ilustração de hoje vai para o blog (vale a pena!) Juju e os Balangandãs - e dele cheguei no perolaspoliticas.com.br

6 de fev de 2008

Gluti, gluti, água para quem tem sede!

Outra idéia brilhante de nossos ministeriáveis. Mangabeira (secretário de assuntos estratégicos) acabou de resolver o problema da sede no Nordeste: vai transportar a água “inútil” da Amazônia por um aqueduto até a casa dos nordestinos. Dois pequenos problemas, senhor secretário: primeiro, poderia me explicar de onde tirou que a água do Amazonas é “inútil”? E alguém pensou no impacto ambiental? Ora, planeta Terra, quem precisa dele? O Ministério do Meio Ambiente não foi sequer ouvido. Em segundo lugar, saiba o doutor especialista em soluções estratégicas mirabolantes que existem, só em Manaus, 700 MIL pessoas sem água encanada! Não seria mais simples resolver, antes, o problema delas? Ah, sei, isto é mais barato do que construir aqueduto e quem se interessa em obras baratas? Afinal, obras faraônicas rendem mais votos, mais caixa, mais notícia. Talvez, se construirmos umas pirâmides no nordeste, resolveremos o problema da falta de postos de trabalho na região. E teremos, de brinde, incremento no turismo!